Aula de 20/05/1992 – O cogito kantiano e o eu existencial: Kant, Descartes e Deleuze

Descartes surge num mundo governado pelo ceticismo. O que estou chamando de ceticismo? “Nós não podemos acreditar em nada que nos dê uma pequena dúvida”. Como, na sua obra, Descartes tem o estranho objetivo de vencer o ceticismo – toda a questão dele é quebrar a força do ceticismo sem, é claro, voltar ao dogmatismo – ele cria a dúvida como método. Ele vai botar em dúvida tudo aquilo que tiver o mais leve tom de incerteza. Seguindo esta linha de Descartes, vou apresentar duas questões pra vocês. São elas: ato e conteúdo de ato. O pensamento, quando  pensa, sempre que pensa,  necessariamente pensa um objeto. Não importa qual. Se o pensamento for pensado, emerge pra ele um objeto. Se o pensamento vai pensar Deus, o objeto do pensamento será  Deus. Pode ser a matemática, o céu, o que for. Estes objetos do pensamento se chamam conteúdo do ato de pensar. Objeto de pensamento é sinônimo de conteúdo do ato de pensar. Descartes, então, colocou em dúvida todos os conhecimentos originários na percepção e em sonhos – tudo aquilo que percebemos e tudo aquilo que sonhamos, não temos certeza se é real. (…) Descartes é uma espécie de marido ciumento. Ele diz: “aquilo que me engana uma vez, eu não confio mais”.

Parte 1:


Parte 2:


Parte 3:


Parte 4:


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