Manuscrito 4 – Futuro possível e real atual

Estava tão pálido e tão magro. Não me importava mais viver. Quando X construiu a armadilha, não me incomodei – aceitei a morte. Bastava seguir o que ele disse. Foi o que fiz. Se não morri, não tenho dúvidas que mudei de opinião no último instante. E agora sei o motivo pelo qual decidi viver. O motivo é o mesmo que me faz…

 

…escrever este pequeno texto. O futuro possível pressionou o real atual: e mesmo que este eu que agora escreve, afinal não tivesse aparecido, foi ele que ordenou a permanência na vida. Outras situações, talvez menos drásticas, talvez tenham tido o mesmo fundamento, sem que o eu possível afinal tenha se atualizado como se atualiza este hoje – e por isto eu não…

…compreenda. Talvez nossas decisões às quais chamamos involuntárias expliquem-se deste modo: o futuro, às vezes um futuro que nunca se realiza, decidindo no passado. A diferença é quando se realiza – os acontecimentos deixam de ser gratuitos. A vida faz sentido. É apenas um eu distante, vago, que quer viver.

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