Aula de 12/06/1990 – Descartes – Três substâncias metafísicas: o eu, o mundo e Deus

Temas abordados nesta aula são tratados no capítulo 10 (Estoicos e Platônicos) e 17 (Aion) do livro “Gilles Deleuze: A Grande Aventura do Pensamento”, de Claudio Ulpiano.

Para pedir o livro, clique aqui.

 

 

Ele chega ao extremo da dúvida –na Terceira Meditação, se eu não me engano– e, a partir daí, ele vai querer fundar a certeza.
Daqui a pouco eu volto para explicar isso pra vocês.

(…)

Deus enganador e gênio maligno é a mesma coisa. O Deus… o malin génie ou o gênio maligno, o Deus enganador seria um Deus que praticamente nos hipnotizaria. É um Deus que nos levaria a julgar que nós estaríamos na instância da verdade, mas nós estaríamos na instância do falso. É esse o problema. Não há diferença. É a mesma coisa.

Aliás, pode até ate chamar esse Deus de um Deus louco.

Um Deus louco, né?! Porque é um Deus que produz um mundo do engano. Espinosa, por exemplo, nunca concordará com isso. Nem com essa hipótese o Espinosa concordará.
Eu volto depois pra explicar isso aqui.

Então o primeiro tema que apareceu foi o Descartes partindo da dúvida para obter a certeza. É preciso distinguir a ideia de certeza da ideia de evidência. A evidência é alguma coisa que está no mundo, na experiência. E a certeza é subjetiva. Então, a categoria de certeza, em uma linguagem melhor, diga-se: é psicológica. E a evidência é ontológica – pertence ao mundo.

A questão cartesiana então (Cartesius, em latim) a questão dele é produzir a dúvida para encontrar a certeza. E a certeza constituída. (Eu vou ter que mostrar isso a vocês) É isso que eu  estou com um certo receio e vou ter que ter muita paciência pra explicar: constituir a certeza que é a evidência de um Deus não enganador, a existência de um eu e a existência de um mundo é o ponto de partida para fundar a filosofa dele.

Continua…

 

Parte 1:

 

Parte 2:

 

 

_________

Esta gravação se inicia e se interrompe abruptamente. Como ela é mais curta do que o habitual, imaginamos que uma parte considerável esteja perdida. No entanto, optamos por torná-la pública, mesmo inacabada, já que a parte que resta é extremamente clara e trata de questões essenciais para o entendimento da filosofia. Além disso, como Ulpiano não trabalha de forma linear, todas as aulas acabam se complementando, e uma questão levantada numa determinada aula pode ser essencial para potencializar outra aula,  do passado ou do futuro.

Na Parte 2,   dos 16:25 minutos até o final (25:56 minutos), quando Claudio responde a perguntas, a gravação não está boa, embora seja possível ouvir suas respostas.

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5 comentários em “Aula de 12/06/1990 – Descartes – Três substâncias metafísicas: o eu, o mundo e Deus”

  1. ola! que bom trabalho este de vcs. claudio ulpiano, eu descobri procurando alguma coisa de espinoza no you tube e fiquei muito feliz em encontrar um professor assim. era um grande professor e agora vejo que nao estou sozinho no que pensava! sou de porto alegre e gostaria de ler um livro deste professor…faço parte de uma radio comunitaria por aqui, sou anarquista, professor de historia e arquivologia. nao sou muito de me indentificar..mais acho que o trabalho de vcs merece meus aplausos obrigado pelo espaço.

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  2. Primeiramente agradeço a todos e a todas que efetivamente colaboraram e colaboram para que estas aulas estejam disponíveis de forma que tornem-se verdadeiro patrimônio da humanidade. É muito esclarecedora cada uma destas aulas, pois,havia alguns pontos um tanto que obscuros quanto as obras de Descartes, um deles era esta questão da prova ontológica de deus. A ideia de perfeição requer, segundo Descartes, o complemento entre essência e existência onde é possível sustentar a ideia de deus, mesmo que de forma dedutiva e efetivamente assim posto, é possível fundamentar outras duas idéias que forma o tripé cartesiano, ou seja as idéias de eu e de mundo. Brilhante a explicação do professor Claudio.

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  3. É muito interessante, pois este gênio maligno precisa ser desconstruído e tornar-se uma ideia ou uma essência imperfeita, pois, não carece de existência e só então Descartes poderá propor a existência perfeita de deus que por dedução de uma ideia, ele afirma sua existência, pois apenas a existência poderia aperfeiçoar a essência, então deus é a perfeição e assim sendo, garante a certeza que possibilita a dedução de outras duas substâncias deduzidas por sua metafisica especial , ou seja, o eu e o mundo.

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