Aula de 23/09/1993 – Consciência e fluxo temporal

O tema “fundação do tempo” ou “a origem do tempo” é uma questão fundamental da filosofia de Deleuze, tratado por  Claudio Ulpiano em muitas aulas e diversos capítulos de seu livro “Gilles Deleuze: A Grande Aventura do Pensamento”.

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Eu vou começar com uma questão do tempo. O meu objetivo é muito mais você ganharem entendimento do que propriamente seguirem o meu percurso. Estou seguindo o meu percurso e dando uma possibilidade de vocês entenderem o que eu digo.

(…)

Presta atenção: o meu objetivo principal é vocês entenderem o problema. Quer dizer, eu não estou exatamente fazendo um percurso que eu necessariamente tenho que fazer. É pra vocês entenderem. Então vamos lá.

Vamos fazer isso com a maior clareza, sem nenhuma dificuldade, sem delírio nenhum.

A ideia de consciência, ela é sinônimo de fluxo temporal. Isso quer dizer que a consciência é sempre um fluxo, sem pausa. Ela não tem pausa. Se vocês observarem na experimentação, vocês vão ver que é assim. A consciência está sempre passando. Ela é um fluxo. Um fluxo temporal.

(…)

Vamos marcar uma figura: marcar a noção de instante como sendo um elemento do tempo, ou até mais do que isso. Os instantes seriam os pontos mínimos do tempo.

Então, a alma aparece num instante e ressurge noutro instante; e ressurge noutro instante…
O que implica em dizer  e aqui está o segredo de tudo  que entre um instante e um outro  existe um intervalo de tempo.

A minha grande via nesta aula de hoje é este intervalo de tempo.

Para vocês entenderem o que é intervalo de tempo, trabalhem com a ideia de instante:
um instante sucede outro instante, e isto é que dá a descontinuidade dos instantes. Porque se houvesse continuidade, aí não haveria intervalo. Mas como os instantes são descontínuos, entre um instante e outro, existe um intervalo.

Vê se vocês entenderam a noção de intervalo…
Esta separação entre um instante e outro, chama-se intervalo de tempo.

O que vocês acharam? Da noção de intervalo de tempo?

O que é um intervalo de tempo?
É o que existe entre um instante e outro.

E se não existisse nada?
Então o instante seria contínuo. Isso prova que o instante é descontínuo. E há um intervalo de tempo. Tá certo?

(…)

O que importa aqui é que se você faz uma teoria de instantes descontínuos, a ideia de intervalo aparece. A ideia de intervalo aparece, necessariamente.

Agora vamos colocar que nestes instantes  em cada instante desses  aparece ‘aquilo que existe’.

Então ‘as coisas que existem’ aparecem onde?
No instante, elas aparecem no instante.

No outro instante as coisas que existem aparecem outra vez, mas já modificadas. Nada permanece idêntico. Tudo vai se modificando. Tá certo?

Então agora nós vamos fazer uma coisa cartesiana.
Para Descartes o eu existe?
Existe.
Então o eu aparece aonde?
Aparece no instante.
E depois reaparece aonde?
No outro instante.

É isso que se chama eu fendido  o eu é fendido pelo intervalo.

Continua…

Fotografia: auto-retrato em múltipla exposição de Andy Warhol

Parte 1:

 

Parte 2:

 

Parte 3:

 

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