Categoria: Democracia

Gilles Deleuze: Carta aberta aos juízes de Negri

“Por que essas negações da justiça são doravante possíveis? Acreditamos que a imprensa, com raras exceções, desempenha e continua a desempenhar um papel enorme. Não é a primeira vez e, no entanto, talvez seja a primeira vez que ela procede dessa maneira sistemática e organizada. A justiça jamais teria podido abandonar seu princípio de identidade, o inquérito jamais teria podido abandonar seu princípio de exclusão, caso a imprensa não lhes tivesse oferecido o meio para fazer com que as faltas e o abandono das regras fossem esquecidos.”

Guattari entrevista Lula (1982)

"Eu fiquei sinceramente fascinado com a leitura de uma coletânea de tuas entrevistas e de teus discursos, por tua liberdade de tom, pelo teu modo, por exemplo, de falar de Ghandi, de Mao, de Castro ou de Hitler, sem nenhuma das costumeiras preocupações, sem clichês e mesmo se aventurando de modo, por assim dizer “imprudente” em considerações intempestivas. Você não parece se dar conta de que algumas vezes as tuas propostas poderiam ser voltadas contra você, você parece confiar a priori na boa fé dos teus interlocutores."

“A presença do mistério em São Bernardo”, por Aldo Zaiden

"Mas sim, sim, houve transe ontem... Muitos desmaios. Após falar, dizer que viraria ideia, Lula vai carregado pelos recém-nascidos até o sindicato-útero, fazendo-se carne para o banquete dos filhos. Se faz alimento e deixa vago o trono. Tragédia absoluta! Lindo e horrível! Eu tremia, não conseguia foco para as fotos que tentei deste devorar. Me preocupei em me alimentar, vejo. Ainda bem. Findo o banquete, um berro vem de dentro ao fecharem as portas do sindicato! - MÉDICO! MÉDICO para o Presidente! Era um pico de pressão. Era o Mercadante desesperado. E foi um pico de pressão. Minha pernas não seguraram. Ajoelhei sem querer, minhas pernas bambearam mesmo. Uma mulher me ajudou a levantar. Ela estava fraca de lágrimas. Nos abraçamos muito órfãos. Somos Lula. Ele se deixou devorar."

“Querendo juntos. Toda a tristeza. Vai se acabar”, por Luiz Orlandi

"Entretanto, com essa vilanagem, espero que esses poderes tenham criado o que nós, democratas, estamos buscando: a calma, vigorosa e pensante oportunidade de nos unirmos num vasto e variado movimento de restauração e aprofundamento de uma democracia concretamente respeitosa das diferenças e seriamente atenta aos problemas vividos neste país. Entre outras coisas, penso que, fazendo isso, manteremos o que Lula deve significar para muitos de nós: o livre e consciente curso de uma cidadania transformadora dessa decrépita realidade, essa que ainda nos golpeia, criada pelo que o Brasil sempre teve de pior: suas classes e elites tão pouco numerosas e, todavia, tão vergonhosamente dominantes com seus poderes de assalto ao povo, ao povo indígena, ao povo negro, ao povo branco, ao povo criança, ao povo mulher, ao povo imigrante, ao povo minorias... e esse destino acaba reservando para nós o papel de gente medrosa, gente esquecida de um corajoso antepassado nosso, chamado Zumbi dos Palmares, ou prematuramente esquecida de um velho nordestino corajoso, chamado Lula."