Sou aluno de Ciências Sociais.

Sou aluno de Ciências Sociais. Nesse curso, aprendi a ler o bastante. Ler nunca é o bastante. No meio do caminho, no curso do curso, me deparei com autores – que depois eu viria saber – espinozistas. Nietzsche, Foucault, Gilles Deleuze, Nelson Rodrigues. Com esses autores, através deles, tomei um gosto estranho pelos estudos, pela leitura, pelo pensamento. Ao mesmo tempo que aumentava meus investimentos nesses autores, na leitura desses autores, no compartilhamento de mundo e de vida que com eles estabeleci, e principalmente, com a oportunidade de me ligar com o fora a partir dessas leituras e desses pensamentos, um forte sentimento de desprezo pela vida profissional e acadêmica tomava conta das minhas condutas. Indiferente, decidi seguir meus caminhos, caminhas perdido, próximo as mais profundas intuições filosóficas.

Nesses caminhos, começo a me encontrar com Espinosa. Vejo vídeos aulas. Numa dessas aulas, acabo dormindo, o youtube começa a rodar outros vídeos, associado ao tema. Acordo, assustado. Na tela um homem barbudo, cabeludo, bizarro. Sua estranheza é do tamanho da sua inteligência. Seu nome, Cláudio Ulpiano, fica na minha cabeça. No dia seguinte procuro sua aula, sua palestra, sua magia. Assisto-a completa e, posso dizer, como muitos aqui já disseram, as suas aulas não acabam. É comum, no trabalho, eu me lembrar de uma das suas frases daquela palestra, seja essa frase uma crítica a consciência, uma afirmação contundente da beleza da vida, ou, uma das mais recorrentes delas, a afirmação de que a filosofia é uma máquina de guerra.

Em meio as maravilhas daquele novo conhecimento a mim apresentado, uma consideração alarmante. A consideração, a saber, é a desse homem afirmando a importância do diploma, contando da fadiga de muito dos seus alunos que vinham a ele desabafar, desabafar a fadiga da faculdade, dos purgantes burocráticos que o homem moderno coloca diante do conhecimento, as barreiras, as considerações morais, as marcas da consciência. Escuto sua voz ainda agora quando escrevo: pegue esse diploma! E todos os dias, ao acordar cedo, continuo escutando sua voz:pegue esse diploma.

O que há de grande em um homem é ele poder ser um declínio e uma passagem. O que há de belo em Cláudio Ulpiano é a sua eterna capacidade de passar o novo, de simplificar conhecimentos complexos, de fazer das suas aulas um interminável bate papo, em que os que ali participam, participam enquanto sujeitos observadores da beleza e do encantamento que constituem as forças intermináveis do pensamento.

Cláudio Ulpiano, pensamento, liberdade. Novos modos de vida, novas crenças. Outro modo de existir. Um grande professor. Um grande homem.

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