Tag: Alain Resnais

Aula de 02/02/1996 – O movimento periódico e a forma vazia do tempo

"Deleuze cita Hamlet de Shakespeare ― e o Hamlet diz: “o tempo saiu de seus gonzos”. O tempo abandonou as suas forquilhas, as suas dobradiças. O tempo no Aristóteles tem como modelo a estrela fixa e o movimento de rotação sobre o seu próprio eixo. Sabe o que é isso, uma estrela fixa em rotação sobre seu próprio eixo? É uma porta giratória... Eu acho que o melhor modelo que vocês podem usar é a porta giratória. A porta giratória é o grande modelo do tempo aristotélico. Então, aparece um gênio maligno, um deus enlouquecido, retira a dobradiça da porta e a porta enlouquece. Quando a porta enlouquece, emerge o movimento aberrante ― e o tempo se liberta do movimento. Então, quando se fala em arte e em filosofia, a questão de ambas ― da arte e da filosofia ― é ir atrás dessa porta enlouquecida. Porque conquista do tempo é sinônimo de liberdade."

Aula de 27/07/1995 – O sentimento, o afeto e a pulsão

“A fenda sináptica – ela é penetrada de luz. Então, eu vou dizer uma coisa muito violenta agora! A única maneira que nós temos para pensar é – se nós formos fendidos. A fissura é um componente essencial para o pensamento… porque – se você não fissura – você entra na banalidade do meio histórico; no comportamento banal.”

25 anos em Marienbad | por Cao Guimarães

"Tento reorganizar o caos, retenho a entidade presente em minhas entranhas pela ponta de meu dedo indicador que arbitrariamente aperta o “pause”, congelando o movimento, reinventando o filme, libertando minha memória do filme, deste filme-fantasma que dormia comigo tantas noites insones. Re-edito o filme à revelia..."

Aula de 26/07/1995 – O nascimento do tempo

“As impressões não se interpenetram. Elas são uma heterogeneidade de extinção. Aparece uma impressão, desaparece. Aparece outra. Aparece uma impressão, desaparece. Aparece, desaparece. Nas imagens, não. Nas imagens há a interpenetração. O que faz o espírito que contrai? Ele junta o que na natureza está separado”.

Aula de 18/07/1995 – A filosofia e o cinema: para uma nova imagem do pensamento

“Na nossa sociedade a faculdade mais prestigiada, qual é? A inteligência! Essa é a mais... "Ele é inteligente!..." Ninguém diz: "Ele tem boa memória!..." (Risos...) Aí ele fica lá em cima porque a inteligência é uma faculdade de alto destaque no nosso mundo... - e a inteligência é um sistema lógico: “Todo homem é mortal. Sócrates é homem. Logo, Sócrates é mortal”. - Mas se eu fizesse da inteligência o que ela disse, eu não diria Sócrates é mortal, eu diria - "As galinhas são verdes". Sócrates é mortal, então as galinhas são verdes. (Entendeu?) Agora, o pensamento não é sinônimo de inteligência. Então, é esse o movimento mais difícil - pensamento e inteligência não são a mesma coisa! E vocês vão conhecer no percurso da aula... porque a primeira complexidade do pensamento que eu dei para vocês foi a potência do pensamento de inventar e de criar... - então, vocês vão ver que pensamento e inteligência não são a mesma coisa. Por exemplo, ao pensamento nada impede que ele lide com aquilo que a inteligência detesta - por exemplo - a inteligência detesta os paradoxos; e o pensamento é apaixonado por eles. O pensamento é apaixonado pelos paradoxos: "Um paradoxo?... Onde?" (Risos...) A inteligência: "Um paradoxo?... Manda a polícia!"”

Aula de 14/04/1994 – Tempo, Pensamento e Liberdade

Temas abordados nesta aula são aprofundados nos capítulos 3 (A Zeroidade), 9 (A Imagem Moral e a Liberdade), 10 (Estoicos e Platônicos), 12 (De Sade a Nietzsche) e 20 (Linha Reta do Tempo )  do livro "Gilles Deleuze: A Grande Aventura do Pensamento", de Claudio Ulpiano. Para pedir o livro, escreva para: webulpiano@gmail.com     Parte ...