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Aula de 15/05/1995 – Movimento extenso e movimento intenso: indivíduo e singularidade

"O cérebro é uma estrutura líquida. (não é?) É uma estrutura líquida! Então, as marcas chegam, batem e se desfazem. Mas nós temos uma coisa chamada memória. Memória de longa duração. A memória são as marcas que se solidificam. Isso que são as memórias que nós temos - são marcas solidificadas! Quando aquelas marcas se solidificam, elas viram hábito. Aí nós confundimos - aí é o homem tolo, o homem ignorante: ele é repugnante! Ele é simplesmente repugnante! Eu não o tolero! Porque ele confunde que as marcas dele são a própria natureza! Então ele é asqueroso, nauseante, porque ele está sempre achando que aquelas marquinhas, que ele tem, são as coisas mais importantes que existem. Então, esse tipo de homem, eu estou falando isso para vocês, se ele tomar o poder, ele se torna uma coisa terrível! Porque ele vai impor aquelas marcas em cima da própria vida."

Aula de 21/09/1995 – O cinema do corpo: instante pleno e gestus

"As categorias da vida são as atitudes do corpo, as posturas do corpo - no sono, na embriaguez, nos esforços, nas resistências. Ou seja - tudo aquilo que era desconsiderado, não tinha a menor importância para um pensamento que se centrava na morte, começa a se elevar quando o pensamento se dirige para a vida. São as posturas e as atitudes que o corpo pode ter, que explicam e mostram o que é a vida. O sono, a embriaguez, a tristeza, as paixões e assim por diante. Isto daqui é uma amostra de que o cinema - talvez - esteja mais adiantado que a própria filosofia, no sentido em que ele entendeu que pensar é pensar o corpo, é pensar a vida. E, ao fazer isso, nesse mergulho que o pensamento faz no corpo, o que o pensamento descobre que o que está incluído no corpo - é o tempo. E o tempo faz parte do corpo - é essa a descoberta de Cassavetes."

Aula de 12/09/1995 – O atual e o virtual ou o objetivo, o subjetivo e o fora

"O conceito de representação orgânica: é o tempo como sucessivo e integralmente preenchido pelo presente. A representação orgânica é isso - o presente preenche todo o tempo. Você não sai do presente - não há hipótese de sair do presente - nem quando se lembra, nem quando projeta: o presente te governa. (...) O cristalino... o cristalino é a saída do governo que a força do habitus exerce sobre as nossas vidas. Você não sabe se é real, se é imaginário, se é sonho, se é lembrança... porque você não sabe mesmo! Tem acontecimentos assim, surpreendentes! O surgimento de imagens produzidas pelo seu cérebro. O seu cérebro que produz. Na verdade não é o seu cérebro que produz, quem produz é o cérebro do planeta - que é um cérebro líquido. Ele produz tudo que você deseja."

Aula 6 – 31/01/1995 – Tornar visível o invisível

"A diferença do movimento intenso para o movimento extenso é que o movimento extenso é o movimento da matéria, é o movimento feito pelos corpos, que saem de um lugar para outro lugar. O movimento intenso é o movimento da alma. É o movimento da alma. Esse movimento intenso não se atualiza no corpo ― ele se expressa. - O que quer dizer expressão? Expressão quer dizer a existência de alguma coisa que está escondida, algo que está escondido e que, por algum sintoma, torna-se visível. Expressão é tornar visível o invisível."

Aula 1 – 16/01/1995 – Corpo orgânico e corpo histérico

Temas abordados nesta aula são aprofundados nos capítulos 1 (Implicar – Explicar); 5 (A Fuga do Aristotelismo); 8 (As Singularidades Nômades); 13 (Arte e Forças) do livro "Gilles Deleuze: A Grande Aventura do Pensamento", de Claudio Ulpiano. Para pedir o livro, clique aqui:     "O que se torna primeiro para a vida de cada um de nós, é a ...

Aula 5 – 27/01/1995 – A desumanização é a busca infinita do pensamento

“Para a arte se efetuar, ela tem que se libertar exatamente da história pessoal - porque a história pessoal é um conjunto de fantasmas, tristezas, pequenas alegrias, grandes sofrimentos, enormes emoções; e nela, na história pessoal, há sempre um herói. Quem? Nós mesmos! Por isso a literatura moderna é brutalmente invadida pelo que se chama best-seller. O best-seller é sempre a história pessoal de um autor que se diz maravilhoso. Porque qualquer narrativa de história pessoal tem que ser elogiosa para ele.”