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Aula de 21/09/1995 – O cinema do corpo: instante pleno e gestus

"As categorias da vida são as atitudes do corpo, as posturas do corpo - no sono, na embriaguez, nos esforços, nas resistências. Ou seja - tudo aquilo que era desconsiderado, não tinha a menor importância para um pensamento que se centrava na morte, começa a se elevar quando o pensamento se dirige para a vida. São as posturas e as atitudes que o corpo pode ter, que explicam e mostram o que é a vida. O sono, a embriaguez, a tristeza, as paixões e assim por diante. Isto daqui é uma amostra de que o cinema - talvez - esteja mais adiantado que a própria filosofia, no sentido em que ele entendeu que pensar é pensar o corpo, é pensar a vida. E, ao fazer isso, nesse mergulho que o pensamento faz no corpo, o que o pensamento descobre que o que está incluído no corpo - é o tempo. E o tempo faz parte do corpo - é essa a descoberta de Cassavetes."

A repetição em Beckett e Deleuze

Quando perguntado acerca do que seria o estilo em literatura e em filosofia, Gilles Deleuze aponta em uma entrevista que os grandes estilistas teriam em comum o ato de: “cavar uma língua estrangeira na própria língua e levar toda a linguagem a uma espécie de limite musical” (1996, “S” de “Style”). Recorrendo a alguns dos ...

Aula de 18/07/1995 – A filosofia e o cinema: para uma nova imagem do pensamento

“Na nossa sociedade a faculdade mais prestigiada, qual é? A inteligência! Essa é a mais... "Ele é inteligente!..." Ninguém diz: "Ele tem boa memória!..." (Risos...) Aí ele fica lá em cima porque a inteligência é uma faculdade de alto destaque no nosso mundo... - e a inteligência é um sistema lógico: “Todo homem é mortal. Sócrates é homem. Logo, Sócrates é mortal”. - Mas se eu fizesse da inteligência o que ela disse, eu não diria Sócrates é mortal, eu diria - "As galinhas são verdes". Sócrates é mortal, então as galinhas são verdes. (Entendeu?) Agora, o pensamento não é sinônimo de inteligência. Então, é esse o movimento mais difícil - pensamento e inteligência não são a mesma coisa! E vocês vão conhecer no percurso da aula... porque a primeira complexidade do pensamento que eu dei para vocês foi a potência do pensamento de inventar e de criar... - então, vocês vão ver que pensamento e inteligência não são a mesma coisa. Por exemplo, ao pensamento nada impede que ele lide com aquilo que a inteligência detesta - por exemplo - a inteligência detesta os paradoxos; e o pensamento é apaixonado por eles. O pensamento é apaixonado pelos paradoxos: "Um paradoxo?... Onde?" (Risos...) A inteligência: "Um paradoxo?... Manda a polícia!"”

A pintura inflama a escrita, por Gilles Deleuze

"A tela não é uma superfície branca. Ela toda já está atulhada de clichês, mesmo que não sejam vistos. O trabalho do pintor consiste em destruí-los: o pintor deve passar por um momento em que não vê mais nada, por um desmoronamento das coordenadas visuais. É por isso que digo que a pintura integra uma catástrofe".

Aula de 22/08/1995 – Enkratéia – Estética da Existência

"Essa pratica da enkrateia, que é o terceiro tipo de poder, – não é esse o terceiro tipo de poder? – nesse tipo de poder não há modelo. Porque na hora que você for administrar a cidade, que é o poder político, você segue um modelo, o modelo de administrar a cidade. Quando você for administrar a casa, você segue o modelo de administrar a casa. Mas, quando você for administrar a si próprio, você não tem modelo nenhum para seguir. Você tem que produzir a sua linha de vida. E qual é a sua linha de vida? A liberdade! Por quê? Porque você sendo livre deixará que todos os outros sejam livres. Produz uma sociedade de homens livres. Impensável no nosso mundo! Impensável no nosso mundo que é governado por outros modelos. Como por exemplo, o dinheiro."

Aula 4 – 25/01/1995 – Movimento Aberrante

O que nós vamos verificar de originalíssimo na arte moderna, não importa qual – cinema, literatura, música – onde for, é a penetração nessa imagem afecção, onde – somente nela – existe o que se chama ritmo. Só há ritmo na imagem-afecção. Porque quando nós passamos para a imagem-ação, o ritmo não existe; existe a cadência.