Tag: Semiótica

Aula de 08/05/1995 – O designante, o designado e o referente

“Qual é a diferença, quando eu digo: "este copo" e "o copo"? É que eu suponho que "este copo" tem um indivíduo real; e "o copo" não tem um indivíduo real. Então, se o nome universal não tem objeto real ao qual ele esteja designando, o universal não é real - é apenas um signo. Nada mais do que isso! Enquanto que, quando eu digo esta cadeira, esta mesa, quando eu produzo o que se chama designante, nós contamos que para lá da palavra exista um objeto real, que se chama, em linguística, o referente. (...) Então: ao universal, nada corresponde no real. Ao designante, corresponde o indivíduo. O terceiro termo é singularidade. Força genética! Nós ainda não sabemos o que ela é... mas sabemos que essa singularidade não é uma realidade física, individual; mas - sem ela - os indivíduos físicos não existiriam.”

Aula de 05/09/1995 – Uma introdução à semiótica: Peirce, Deleuze, Maine de Biran

“O ícone é um signo natural que você apreende por semelhança: por exemplo, eu vejo um retrato da Andréa, eu me lembro da Andréa; eu vejo um retrato de uma cadeira, eu me lembro da cadeira. O signo ícone faz uma relação, por semelhança, com o que ele representa. Já o índice é um signo que de algum modo nos projeta para o futuro. Por exemplo, você vê uma quantidade de nuvens negras no horizonte e isso é índice de chuva. Como por exemplo, Robinson em Speranza vê a marca de um pé na areia e diz: “Há um índio nesta ilha” (Tá?). Isso é um signo indicial. E o símbolo é um signo linguístico, ele pertence ao campo da linguagem ― e é aqui que aparece a grande marca da distinção entre a semiótica e a semiologia: é que a semiologia só trabalha com o símbolo.”

Aula de 27/07/1995 – O sentimento, o afeto e a pulsão

“A fenda sináptica – ela é penetrada de luz. Então, eu vou dizer uma coisa muito violenta agora! A única maneira que nós temos para pensar é – se nós formos fendidos. A fissura é um componente essencial para o pensamento… porque – se você não fissura – você entra na banalidade do meio histórico; no comportamento banal.”

Aula de 24/07/1995 – A imagem-afecção

“O nosso rosto traz com ele três funções: produzir comunicação, produzir socialização e produzir individuação. E esse rosto tem que estar preparado para participar de uma comunidade, para participar de um campo social. Mas o afeto despersonaliza o rosto. Vejam: o filme é A Paixão de Joana D'Arc, o nome da atriz é Falconetti. É um filme mudo. Não se preocupem com o que está escrito, preocupem-se com os rostos. O rosto se despersonaliza para poder expressar somente afetos. Ele é pura expressão de afetos. Começou a aparecer uma coisa muito difícil - é a noção de afeto, que está surgindo aqui. O afeto despersonalizaria o rosto. O rosto seria apenas um porta-afetos; e esses afetos nada teriam a ver com a história pessoal. Vejam o rosto... Olhem só! Olhem que coisa! Não há preocupação de personalização, há a preocupação do afeto. São apenas os afetos que importam: a paixão, o afeto... nada mais! (...) O que eu estou falando para vocês é que, quando nós convivemos dentro de um campo social, as nossas manifestações (que são sentimentos efetuando comportamento com aquelas três características do rosto) não são manifestações do nosso espírito - são manifestações de um eu social. O que eu estou chamando de espírito - e que é a expressão desses afetos - é a nossa singularidade: é aquilo que é único, é aquilo que somos nós - independentemente do campo social, independentemente do outro, independentemente da comunicação, independentemente da socialização, independentemente da individuação. Seria, por exemplo, alguma coisa que, ao longo de quaisquer 24 horas, aparecesse algumas vezes em nós, e - de repente - nós entrássemos em contato conosco mesmo e não nos importássemos com o outro, com o campo social, com a comunicação, com o mundo da socialização; e quiséssemos expressar a nossa singularidade.”

Félix Guattari: “Essa crise (que não é só econômica…)”

“Uma das características da crise que estamos vivendo, é que ela não se situa apenas no nível das relações sociais explícitas, mas envolve formações do inconsciente, formações religiosas, míticas, estéticas. Trata-se de uma crise dos modos de subjetivação, dos modos de organização e de sociabilidade, das formas de investimento coletivo de formações do inconsciente, que escapam radicalmente às explicações universitárias tradicionais – sociológicas, marxistas ou outras. Essa crise é mundial, mas ela é apreendida, semiotizada e cartografada de diferentes maneiras, de acordo com o meio.”

Aula de 12/04/1989 – Acontecimento e sentido

“O acontecimento traz para o mundo o que o mundo não tem - porque o mundo é constituído de corpos e potências no presente. O acontecimento traz o futuro. O acontecimento é a chegada de uma nova dimensão do tempo.”