O Corpo, o Acontecimento: Min Tanaka dança em La Borde

“O corpo é uma potência. A potência do corpo é de produzir acontecimentos. Então, é o próprio corpo que produz os seus atributos. O próprio corpo gera os seus atributos – mas os atributos não são essenciais nem são acidentais; são acontecimentos. (Tá?) Onde está a essência? No próprio corpo.” Leia a aula na íntegra: —-> https://goo.gl/yn9hTY

“Esse corpo que está sendo pensado – olhem se não é isso! – vejam se ele não se parece com uma semente – que ora se torna árvore, ora se torna flor, ora se torna folha, sem deixar de ser coisa. É o mesmo ser – nas suas múltiplas variações. Produzir experiências é o segredo do corpo. É o segredo da vida. O segredo da vida é a experimentação. É a produção dos acontecimentos.” Leia a aula na íntegra: —-> https://goo.gl/ipzBGu

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Vídeo: Min Tanaka, um dos grandes nomes do Butô (a chamada “dança das trevas”), a convite de Félix Guattari, realiza uma performance de rara intensidade no amplo espaço externo da clínica psiquiátrica La Borde (A Borda), em frente a seu velho castelo num dia de primavera. A dança é acompanhada pela belíssima música Bailèiro, de Joseph Cantteloube.

Aula em vídeo: Uma personagem Original

“Uma personagem original (escreva aí, original com O maiúsculo). É aquela que escapa da lei…”

Ulpiano inicia a aula explicando que o seu objetivo é trazer entendimento para o conceito de imagem-pulsão, mas que uma aula será sempre mais extensa do que um tema. Ele vai falar sobre a tese dos gnósticos – o deus dos puros espíritos e o demiurgo –, sobre as figuras do demônio, do anjo e do profeta, justiceiro e vingativo; sobre o nihilismo e o tempo negativo, sobre o mal radical, sobre o realismo, o naturalismo e a literatura de Melville, sobre o movimento e o tempo no cinema. Por que um homem escreve uma obra literária? O que é o cinema pulsional? “Esta não é uma aula linear. Pois estamos trabalhando com temas muito sofisticados, e uma progressão linear mataria o próprio ser da questão” – afirma Ulpiano.

 

 

Aula em vídeo: Hábito e renovação: uma aula dadaísta

Ulpiano fala nesta aula sobre o conceito de compreensão: o espírito humano aumenta a sua potência no momento em que aumenta o seu poder de compreensão. O homem é um ser esquartejado, pois recebe os acontecimentos do exterior com sua estrutura sensória, e reage a eles com sua estrutura motora. Entre a percepção e a reação há um pequeno intervalo que se chama Tempo. O que marca e define a humanidade é este pequeno intervalo, preenchido por um sistema neurológico altamente sofisticado: o cérebro humano – “Van Gogh nunca foi um macaco”. A função da arte seria nos desvincular dos hábitos e nos jogar no tempo, aumentando assim a extensão e potência do nosso entendimento.

Aula em vídeo: A vontade espiritual na vida humana

Claudio fala sobre três mundos: o físico (material), o empírico (orgânico e psíquico) e o transcendental, que é o mundo do espírito. Enquanto o sujeito humano é constituído pelo orgânico e pelo psíquico, e por isso se volta para a conservação, a preservação, o conforto, os valores estabelecidos, o espírito contempla, produz singularidade e arte. Ele termina a aula discorrendo sobre a vontade espiritual contra a representação orgânica, nas artes, e utiliza como exemplo alguns pintores.

Quand je serai k.o. – a canção do Abécédaire

Esta canção foi escolhida por Gilles Deleuze para abrir o filme Abécédaire.

QUAND JE SERAI K.O.
Alain Souchon

QUANDO EU NÃO FOR NADA
Alain Souchon
When, petite sœur,
We’ll just have to remember.
I’ll be down,
No more, the old dancing music sound.
All day long in my gown,
When I will be down.
.
Quand j’serai K.O.,
Descendu des plateaux de phono,
Poussé en bas
Par des plus beaux, des plus forts que moi,
Est-ce que tu m’aimeras encore
Dans cette petite mort?
.
Attention: plus personne
Porteurs de glace de chewing gum,
Plus de belle allure,
Chevaux glissant sur la Côte d’Azur.
Quand j’serai pomme,
Dans les souvenirs, les albums,
Est-ce que tu laisseras
Ta main, sur ma joue, posée comme ça?
Est-ce que tu m’aimeras encore
Dans cette petite mort?
.
When, petite sœur,
We’ll just have to remember.
I’ll be down,
No more, the old dancing music sound.
All day long in my gown,
When I will be down.
.
Plus d’atoll
Pour une déprime qu’a du bol,
Plus les folles
Griffonnant “Je t’aime” sur des bristols.
Quand j’serai rien
Qu’un chanteur de salle de bains,
Sans clap clap
Sans guitare, sans les batteries qui tapent,
Est-ce que tu m’aimeras encore
Dans cette petite mort?
.
Quand j’serai K.O.,
Descendu des plateaux de phono,
Poussé en bas
Par des plus beaux, des plus forts que moi,
Est-ce que tu m’aimeras encore
Dans cette petite mort?
.
I’ll be down,
No more, the old dancing music sound.
All day long in my gown,
When I will be down.

Moça, quando
Nos restar apenas lembranças.
Eu já estarei por baixo,
Sem as velhas músicas dançantes.
O dia todo de roupão,
Quando eu estiver por baixo.
.
Quando eu estiver no fundo do poço,
Atirado da vitrola,
Jogado fora
Pelos mais bonitos e mais fortes,
Será que você ainda me amará,
Assim, meio morto?
.
Veja bem: ninguém mais
Pra me trazer doces e chicletes,
Feio,
Sem cavalos brancos galopando ao vento.
Quando eu for um farrapo,
Nas lembranças e nos álbuns,
Você ainda deixará
Sua mão, sobre o meu rosto, desse jeito?
Será que você ainda me amará,
Assim, meio morto?
.
Moça, quando
Nos restar apenas lembranças.
Eu já estarei por baixo,
Sem as velhas músicas dançantes.
O dia todo de roupão,
Quando eu estiver por baixo.
.
Nenhuma ilha paradisíaca
Pra espantar a depressão,
Nem mulheres desesperadas
Mandando bilhetes de amor.
Quando eu não for nada
Além de um cantor de chuveiro,
Sem palmas
Sem guitarras, sem tambor,
Será que você ainda me amará,
Assim, meio morto?
.
Quando eu estiver no fundo do poço,
Atirado da vitrola,
Jogado fora
Pelos mais bonitos e mais fortes,
Será que você ainda me amará,
Assim, meio morto?
.
Eu já estarei por baixo,
Sem as velhas músicas dançantes.
O dia todo de roupão,
Quando eu estiver por baixo.
 

 

Tradução de Tatiana Roque e Marici Passini – Café Charbon, 16 de julho de 2010.

Um agradecimento especial à Martine Muldworf pelas dicas.