(…) Isso se chama caos subjetivo. É o caos no próprio espírito. A imaginação é um caos subjetivo. Se por acaso houver um enfraquecimento desse conjunto de regras que governa o sujeito que nós somos, esse caos sobe. Ele não para de subir, nos ameaça o tempo inteiro. As grandes filosofias sempre o encontraram, não há filosofia que não o tenha encontrado. O sonho, o delírio, a loucura – é esse caos tomando conta de nós. Então, a função desse conjunto de regras é afastar o caos subjetivo. E essas regras o vencem produzindo um tempo que se orienta do passado para o futuro. É isso que se chama bom senso: a orientação do tempo do passado para o futuro. (…) O bom senso nunca nos deu a realidade do abismo do tempo. (…) (…) Se o caos é criador, e se a vida se afasta dele, ao se afastar, ao constituir um conjunto de regras, perde o poder de criação. Aluno: Mas a vida passaria sem esse conjunto de regras? Claudio: Não. Mas a vida também já estaria estancada se não houvesse meios de se produzir novos mundos.
(gravação com ruídos, porém perfeitamente compreensível)
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