(…) eu começo a entrar em novos mundos, novos universos, inclusive novas palavras. Porque, se eu vou trabalhar com novos mundos, eu não posso reproduzir as palavras deste mundo em que nós vivemos.
Tudo o que eu tenho feito até agora, na verdade, são preparativos. Não é dizer que daqui a duas aulas eu já tenho competência e vocês já têm competência para, juntos, nós começarmos a trilhar a filosofia do Deleuze ¬que é uma Filosofia originalíssima e dificílima. Mas eu conto que o início já vá se dar talvez na próxima aula; aí que vão começar a surgir novos conceitos ¬conceitos assim que você nunca ouviram falar: ritornellos, clinâmen¬ e aí vocês vão começar a compreender e isso vai mostrar para nós que é uma ilusão a gente pensar que só existe esse tipo de mundo, que só existe esse tipo de espaço, que só existe esse tipo de tempo. Vocês vão começar a compreender que existe uma multiplicidade de tempo, uma multiplicidade de espaço; que os nossos afetos podem ser modificados e as nossas maneiras de vida também.
Essa aula de hoje, ela vai… ela tem todo um objetivo; se eu obtiver sucesso de conduzir vocês para estes novos caminhos. (…) Numa linguagem universitária deficitária [esses novos caminhos] chama-se constituição de novas subjetividades.
Eu, aqui nessa aula, eu fiz uma menção ¬ não sei se vocês devem estar lembrados¬ entre subjetividade material e subjetividade espiritual. Eu fiz essa distinção. Eu não levei à frente essa distinção, mas é uma distinção deleuziana; no sentido de que a subjetividade espiritual, ela já conviveria com novas forma de tempo, com novas formas de arte, novas formas de pensar.
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De uma outra maneira, ao utilizar os instrumentos do Foucault ¬que eu nunca utilizei nessa aula¬ é… o poder político, ele não é administrador; como classicamente nós pensamos, segundo o modelo marxista. O poder político é produtivo. E o poder político é sempre uma subjetividade, que eu chamo de subjetividade material.
Então essa distinção entre subjetividade material e subjetividade espiritual apareceria em qualquer tipo de Arte… apareceria na Música, no Cinema, no Teatro, na Pintura, na Literatura.. O que não seria ‘a realidade’, seriam ‘duas maneiras de viver um mesmo processo’. Certo?
(…) essas questões, eu acredito que todos vocês vivem e têm dentro de vocês um gérmen do que eu estou dizendo: que um mesmo processo pode ser vivido de maneiras diferentes. E a marca disso pra nós vão ser essas duas subjetividades ¬conforme eu estou colocando: uma subjetividade material e uma subjetividade espiritual.
continua
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