Aula de 22/05/1990 – A lógica dos estoicos

Temas abordados nesta aula são tratados no capítulo 1 (Implicar-Explicar), no cap. 3 (A Zeroidade), no cap. 4  (Diferença, Alteridade, Mutiplicidade), cap. 6 (Do Universal ao Singular), no cap. 10 (Estoicos e Platônicos) e no cap. 20 (Linha Reta do Tempo) do livro “Gilles Deleuze: A Grande Aventura do Pensamento”, de Claudio Ulpiano.

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Os estoicos produziram uma nova lógica, romperam com a lógica aristotélica, romperam com o modelo platônico (…). E produziram o que eu venho chamando aqui (mas ainda está muito vago) de Ontologia dos Incorporais.

Então a minha questão nesta aula é a gente perder o medo desses nomes terríveis [né?!]: Ontologia, Incorporais… e fazer um trabalho na lógica dos estoicos, a compreensão do Aristóteles, a compreensão do Platão; e, o que isso vai conduzir de diferença no pensamento (…).

Há um texto do Deleuze em um livro chamado “Dialogues”. (…) E eu vou me servir deste texto, inicialmente, para contar uma história para vocês e nós nos apoderarmos da grandes questões para compreender o processo dessa Filosofia, que é um processo realmente difícil, né?! Ela é inteiramente diferencial de tudo o que nós tínhamos de Filosofia. Inclusive, nesta história que eu estou contando e que faz parte da obra, da mesma maneira que quando a gente lê as entrevistas do Foucault, as entrevistas fazem parte da obra. Essa introdução faz parte da compreensão dos Estoicos.

A primeira grande questão da filosofia estoica, que desperta os historiadores de Filosofia. (…) É que os estoicos produziram uma lógica que é absolutamente ininteligível para o pensamento aristotélico. O pensamento aristotélico, sempre que ele faz uma invasão e que ele tenta a compreensão da lógica estoica, ele vai por um caminho equivocado e não chega a resultados positivos. E essa lógica estoica, ela começa a ter o entendimento dos historiadores de filosofia no século XX. No século XX é que essa obra estoica começa a surgir para nós com um relativo entendimento. E [essa obra] permitiu ao Deleuze  escrever o que eu considero o livro mais difícil do século: Lógica do Sentido. É um livro de excessiva  dificuldade, para se entender o que o Deleuze está dizendo ali, sobretudo porque nós não sabemos o que vem a ser essa lógica estoica.

De outro lado os estoicos, eles geraram uma ideia que é bastante complexa também, que é a ideia de Incorporal. Eles geram essa ideia de Incorporal. Então a minha questão com vocês é tentar que vocês comecem a penetrar nessa excessiva dificuldade. (…)

Então o tema dos estoicos fundamental para nós é que eles, ao fazerem a filosofia deles, eles estabelecem uma coisa que é definitiva na obra deles. É que somente os corpos existem. Eles colocam isso e isso é uma coisa definitiva: só os corpos existem.

Mas agora eu não vou trabalhar com vocês como se vocês não fossem estudantes de filosofia. Nós temos agora que nos preocupar com essa categoria de existência. Essa categoria de existência – existir enquanto tal – é uma categoria que só pertence ao corpo. Então não é possível pensar no mundo Estoico qualquer coisa que tenha existência e que não seja corpo.

Continua…

Parte 1

 

Parte 2

 

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