“A filosofia estoica está atrelada à doutrina do Eterno Retorno. A doutrina do Eterno Retorno é o fundamento da filosofia estoica. E se essa doutrina, como expliquei pra vocês, não necessita de nenhum princípio transcendente, de nenhuma mitologia – ela dá a eternidade ao mais vil dos elementos (um excremento ganha a eternidade!) -, então a vida humana ganha a eternidade sem a necessidade de transcendência. Esta é talvez a eternidade mais bela que possa existir! Pois é evidente que a eternidade que queremos é a eternidade que repete aquilo que nós somos. Ser eternos mas diferentes do que somos, não nos interessa. E a eternidade religiosa dirá que, na eternidade, nós seremos diferentes; porque o corpo desaparecerá, seremos só alma, seremos ungidos. Os estoicos dizem: não! A eternidade é a eternidade da sua intimidade. Ou seja, eu nunca perderei a infância na minha eternidade. Nem os gestos mais simplórios que fiz ficarão perdidos. Assim, para eles, a constituição desta doutrina do Eterno Retorno gera uma ética; uma ética, inclusive, de altíssimo nível, pois o que se repete pela eternidade é tudo aquilo que você é. Vamos chamar esta doutrina do Eterno Retorno de lei da natureza, campo de possibilidades, onde a repetição é absoluta…”
***
“A tese de Bergson é de que o cérebro é uma imagem no seio de um universo de imagens. Nós temos uma impressão tola, diz ele, de que o cérebro tem a capacidade de reter imagens dentro dele. Pensamos assim que o cérebro é mais potente do que o sistema de imagens, quando na verdade ele é apenas um ponto imagístico – sem a menor importância – ali dentro. Mas o cérebro está incluído no sistema de imagens e movimento. O cérebro, então, é matéria. Está ali, no mundo!”
Parte 1:
Parte 2:
Parte 3:
Parte 4:

Deixe uma resposta