Temas abordados nesta aula são aprofundados no capítulo 19 (Leibniz II) do livro “Gilles Deleuze: A Grande Aventura do Pensamento”, de Claudio Ulpiano.
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Eu vou bem devagar, porque é uma aula muito mais didática que outra coisa qualquer, viu?
Inclusive eu vou ver se eu consigo fazer uma interveniência com um texto que eu escrevi. Se não der com o texto, não faz mal. Mas eu vou ver se consigo, no meio da aula, colocar esse texto, que é um texto sobre Kierkegaard, né?! Mas a aula não visa o Kierkegaard, inicialmente.
Então é uma aula muito didática, tá? Muito didática.
Duas questões: de um lado Platão e de outro lado Kant.
O kant estabelece que só há conhecimento humano, que o homem só tem conhecimento, daquilo que ele experimenta. Então conhecimento para Kant pressupõe a experimentação. O que ele chama de experimentação é a prática da sensibilidade e a prática da intuição. Então o sujeito humano teria uma prática experimental e essa prática experimental é feita pela sensibilidade e por aquilo que o Kant chama de intuição e o entendimento pegaria essa matéria da intuição e constituiria o conhecimento humano. Então todo o conhecimento humano seria à partir do campo experimental. Seria a partir da intuição. E o conhecimento se daria nisso que a intuição e a sensibilidade apreendeu.
Com essa posição kantiana, e é isso que eu quero que vocês entendam, há uma nítida oposição com a prática platônica. Porque para Platão, a razão pode entrar em contato com determinadas e tais ideias diretamente, sem a intervenção ou a mediação da experiência. O Kant colocando dessa maneira significa que não pode haver para o Kant metafísica tradicional. Porque a metafísica tradicional é a relação da razão com as ideias. Como pro Kant é necessário haver primeiro a prática experimental, todo conhecimento para Kant deriva da experiência, se origina na experiência. O entendimento vai ultrapassar isso. Mas tudo vem da experiência. E isso é uma crítica que ele está fazendo na velha metafísica. A velha metafísica, que é a metafísica platônica.
Eu vou retomar isso até vocês entenderem, até vocês entenderem isso perfeitamente.
A metafísica clássica, que é a metafísica platônica, é o contato direto -pela prática da contemplação, que a razão faz com as ideias. Então a razão para Platão, ela pode conhecer as ideias diretamente e, conhecendo as ideias diretamente, a razão está fazendo – o conhecimento humano está fazendo- uma metafísica. No Kant isso não é possível. Não é possível porque em Kant todo o nosso conhecimento parte, tem como pressuposto, a experiência. Então, partindo da experiência, o que o conhecimento faz é conhecer o campo experimental. E no Platão não, a razão vai conhecer as ideias diretamente.
Então nós podemos dizer que Platão faz uma metafísica e o Kant impede a metafísica. Ele obstaculiza a metafísica. Vocês entenderam bem? Ele faz um obstáculo à metafísica, porque a razão -o conhecimento- para Kant não é capaz de conhecer nada em si mesmo. O conhecimento para Kant só conhece o fenômeno: aquilo que é a partir do campo experimental.
Continua…
Na Parte 1 da aula, dos 19:20 minutos até o final, a voz de Claudio está alterada, reproduzida numa velocidade maior.
Na Parte 2, a gravação volta ao normal.

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